quarta-feira, 28 de março de 2012

Fixação


Nele se perde, porque nada nele conhece. Adora explorar o que de mais estranho lhe vem ao toque, e passa horas, sozinha, dentro dele. Qualquer olhar vazio, direccionado para outro qualquer momento, sem ser aquele vivido com ela, não lhe é de nada importante, porque ela já se ocupa demais com os momentos em que, por acaso, os olhos dele se encontram com os dela. Cada palavra por ele pronunciada ganha asas, solta-se pelo ar e esvoaça desordenada, e só ela tem o trabalho de as apanhar, qual contumaz caçador de borboletas. Suspira sobre o que ele diz, ainda que nenhuma palavra pose sobre ela.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sala


Ontem ela acordou e esqueceu-se que também ele, às vezes, sabe como sorrir. Fica feliz com o que ela diz. Ele não finge. Ela rápido se lembrou. Passam-se horas, e o tempo é o que menos passa. Correm copos, fica o vinho. A noite salta na sala, a madrugada espreita pela porta. Nos olhos dela vê-se uma noite alucinante, que faz tremer o passado. O disfarce mascara-se de conversas sobre Deus. Existe sim. Não, não existe. Ela acredita, mas fé é o que lhe falta. Para ele existe apenas fé. A crença dela é pessimista. Acreditar e não ter fé, é como ter carro e andar a pé. Diz ele, e nem acredita. A madrugada entra, senta e fica. Ela esqueceu-se que ele consegue ver os pedaços dela - que ele deixou - no chão. Mesmo que não lhes dê a mão para pô-los no lugar. Ele não tem mãos firmes, ele sabe, e explica que em tudo o que agarra, lhe escapa como areia no mar. Mas sem vontade. Queria ele ser agarrado. Ela sentada, respira, aguarda. Ele tenta convencê-la que ela gosta dele, e ela fixa-se em como é chato o coração. Do pouco que resta, diz ele que já não presta. Sai. Pede ela. Mesmo que seja chato, ela quer que o coração bata. Funcione. Anseie. Caso contrário, sai. Ele fica. A manhã altiva e despreocupada, entra sem convite, para iluminar os olhos dela. Estão fechados, mas não deixam de ser do escuro penetrante, que ele elogia. Aquele escuro que tanto se molha de angustia, por saber que de si sai mais luz do que a manhã trouxe. Sai vida e essa vida preocupa. Agora sim, ele tem de sair. Ela sai com ele.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vou II

Quem se senta comigo hoje sabe, que nada disto durará mais que hoje. É aqui. Cheguei. Gostaria de falar do inicio, mas cheguei ao fim. Em cada mão sobre o ombro, sorrio firme, agradeço. Salvo memórias nas quais sou mais um, implico com a suavidade mas de forte sobra pouco. É aqui que paro e escuto o que me dá vento, que me arrefece do quente que está este lugar. Guardo tudo meu e levo comigo o que posso. O que perdi pelo caminho encaro como oferta, de tudo aquilo que tem escolha. Escolhi oferecer-te este lado de mim. O resto deixa comigo, ainda preciso, para ser largado de bem alto e ver tudo passar, tudo aquilo que passei. Solto brilho de cada um dos olhos, desinibido. E que me desculpe a quem faço o mesmo, mas admito, é bonito. Saudades. Já as sinto.

num quarto quente no Rio de Janeiro, último dia

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Travesti


A barriga suja de uma cidade secreta
Na estação as mesmas putas baratas de sempre, junto ao bar
E os gajos sem camisa desprezam tudo o que a mãe acredita
Um maço de cigarros e um pouco de cocaína, ajuda-te a sentir menos estranho

O meu velho disse, “Ela não sai, a menos que alguém esteja junto dela”
“E ela vai brilhar, assim que pisar o risco, com as mãos amarradas à cadeira”
Eu disse, “Espalha no chão, mete um som de ruído branco, como um traveca naquela rua”

Estes parolos têm a cabeça feita num nó
Eles não sabem o que amam ou merecem receber
Provavelmente põem o isco no anzol
Sem saber que peixe gostariam de morder
Esta noite

Ir para casa em serviço
Isso é que é paz?
Dedos enfiados no sujo
E ele cospe os próprios dentes.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


Atenção... Luzes, Câmera, Ação!
Os maiores clichês, banda sonora a condizer
Uma grande produção a não perder
Para entender, que assim é a nossa relação.

Que intensa foi a experiência
Criámos juntos cada cena com amor – sempre
Sem entender com certeza a essência
E mesmo que isso trouxesse dor – sempre.

Muito investimento em publicidade
Tinha de ser a melhor das estreias
Sempre foi a nossa vontade
Ter todas as salas, todas as noites, cheias.

Tal como o coração a sala abriu ansiedade
A tela exibiu lindas paisagens, perfeita iluminação
A música também, tudo em conformidade
Mas os dois, onde estão?

Assim é o nosso filme, Amor
Um guião lindo, que ambos queriamos interpretar
No dia que deveriamos ter dado o nosso melhor
Decidimos não aparecer para gravar.

Todas as cenas estão ideais, cenário de qualidade
Vazias em emoção, não se ouve uma fala
O grande plano é nosso, mas o fundo distorce a verdade
Sexo escaldante, nunca aconteceu – cena da sala.


Houve uma estreia de uma história que nunca chegou a ser
Terminada. Foi feita de saudade, distância e planos
Terminou. O difícil que foi aqui chegar não preciso nem dizer
Vamos, cada um faz o seu filme, mesmo que nos leve anos - sempre

domingo, 31 de julho de 2011

Parte V



- Vi que chegou ontem. Agrada-lhe esta vila? Canterbury é lindo vai adorar, especialmente a Catedral... Aaah, é magnífica! – disse Tom vazando chá no seu copo.

Federico observava os movimentos meticulosos e coordenados de Tom, enquanto este pegava na chávena. Era um senhor de charme inquestionável. Tom tinha por hábito sorrir ligeiramente enquanto falava, e os olhos acompanhavam o sorriso desenhando as suas rugas que envolviam os olhos azuis profundos, expressivos e frontais.

Acabado de mudar, Federico continuava com a sua casa de pernas para o ar. Ver a casa de Tom impecavelmente limpa e organizada, para além de uma inveja imensa, fazia crescer uma dúvida.

- Desculpe-me, mas... é casado?

- Fui. Divorciei-me faz cinco anos. Vivo sozinho desde então... mas porquê? Não tenha medo de perguntar homem, esteja à vontade. Afinal de contas somos vizinhos. Sendo eu a contar ou não, irá saber tudo sobre mim de qualquer modo. – Disse, soltando umas gargalhadas bem genuínas.

Depois de horas de convívio, com conversas que serviram para Tom despejar experiências de vida, Federico voltou para casa feliz por ter conhecido finalmente um bom vizinho. Aquela casa arrumada inspirou-o a pegar num aspirador de uma vez por todas. O fascínio por Tom Sachs tinha começado.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Já lhe fizeste perguntas?
E nada?
Que perguntaste tu?
Que falta de noção.
Não admira que nada surja.
Tens um toque suave de mais,
Toca-lhe como deve ser porra.
Quantas cartas lhe escreveste?
A lápis?
O carvão vai com o tempo.
Tem que ser com tinta.
Marca-lhe com sublinhados,
Com letras carregadas,
Dessa tua tinta tímida, cuspida.
Já viste bem como és?
Pára.
Não precisas gritar agora.
Agora, pega em tudo o que já fizeste,
Pensa que valeu a pena.
Faz-lhe as perguntas interessantes.
Pergunta se está bem.

Fica grato com a resposta.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Resposta

Quem não te conhece diria que os teus passos não se calçam de antigas pegadas.
Parecem ao invés andar descalços por caminhos aleatoriamente escolhidos e criteriosamente desconhecidos.
Quem não te conhece pensa que só te secas porque te ensopaste em lágrimas que ainda irás chorar, no dia em que descobrires que o gelo queima muito mais que a chama.
Esse mesmo gelo, onde vês o reflexo dos teus gritos, irá reflectir um dia o mais melodioso canto.
Quem não te conhece sabe que nunca te conhecerá, porque nunca serás amanhã, o que és hoje.
Quem não te conhece gosta de assistir às tuas mutações tão certas de inalterabilidades.

Parte IV


Algo interessante? Olhar a rua. Observar vizinhos. Agora com tempo, Federico sentou-se no seu sofá verde seco, de ombros encolhidos na tentativa de aquecer o pescoço, com o Cappuccino entre as mãos, embrulhado numa manta castanha que podia muito bem ser confundida com um velho trapo, e iniciou um processo de coscuvilhice elaborado. Para lá da grande vidraça da sala que separava Federico da rua - que agora era sua - uma pequena menina brincava com uma bola de futebol. Com a sua bicicleta despejada no meio do passeio, dava violentos pontapés na bola, de um lado para o outro. Em cada pontapé parecia ansiar a chegada de um parceiro para receber e devolver a bola. Então só brincava, só. Com duas tranças compridas, compostas por um cabelo forte, negro, que lhe caía longo pelas costas. A cara branquinha e inocente. Era a pequena Darla Warren, filha única de uma família bastante reservada, assim era conhecida por todos. De quando em vez, ouviam-se gritos, cheios de palavras balbuciadas, vindos da casa da pequena Darla. Ela parecia feliz e indiferente a tudo o que pudesse parecer instável naquele lar. Descendo a rua, um homem grisalho envergava uma farda velha, provavelmente da marinha. Era visto, com alguma regularidade, sair de casa com sacos de plástico pretos. Com a agilidade característica de um velho de 80 anos, atravessava o seu jardim com os sacos na mão, até chegar ao contentor do lixo. Com a mesma agilidade regressava para casa. Sacudia as mãos, em gesto misto de limpeza e dever cumprido. Era conhecido por Capitão. Tratava todas as pessoas, sem excepção, por “meu Soldado”. Dá-se pelo nome de Claus Jordan. Na casa em frente vivia um jovem casal, aos olhos de Federico, peculiar. Casal de “Góticos”, assim decidiu chamá-los. Vestiam-se de preto, com grandes botas e com correntes que quase arrojavam no chão. Ambos, furados na cara, tatuados nos braços e com os olhos pintados de preto. Os cabelos, graças a fixadores, certamente de qualidade, desafiavam as leis da gravidade. Esta era a família Wheeler, Georgia e Flem.
Aquela rua que ontem parecia agradável, estava agora feita no bizarro que os seus olhos alcançavam. Federico chegou-se à frente no sofá, saindo da sua posição confortável, pousou a chávena já a meio e olhou para a casa do lado.

- Então é dali que vem o som de corta sebes. – disse Federico ao ver o homem que no dia anterior tinha visto na espreguiçadeira a ler um jornal.

Cinquenta e poucos, a tratar do seu desleixado jardim, sem pessoas a gritar, sem uma farda velha, nem piercings. Perfeito. Haja alguém normal nesta rua – normal.

- Precisa de ajuda? – perguntou Federico ao vizinho – normal.

- Ora viva... – respondeu este descendo o escadote com pressa, tirando as luvas de jardinagem e esticando a mão para um forte cumprimento. – Muito prazer, Tom Sachs.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Parte III


A campainha tocou. Federico na cama a ouvir a chuva forte lá fora, pouca vontade tinha de se levantar, mas assim fez e arrastando-se por ali fora, descendo as escadas e esfregando os olhos de sono, chegou à porta e abriu-a.

- Primo. Há quanto tempo! Venham para cá esses braços seu desnaturado.

Alessandro havia chegado. Conhecido na família por ser o intelectual e viajado, adora sentar-se e contar todas as suas viagens de ponta a ponta. Tinha-lhe chegado a noticia que o primo recentemente tinha dedicado a sua vida à música e corrido o mundo com uma viola nas costas. Alessandro, ficou a saber que Federico estava em Inglaterra e decidiu aproveitar para o visitar. Contou que a sua vida andava numa roda viva desde que se dedicou à musica. Federico não ficou propriamente feliz com a surpresa. Apesar de ter o problema da solidão resolvido, não tinha paciência para as conversas intermináveis de Alessandro.

- Não te preocupes primo, enquanto aqui estiver compro o que quiseres para comer e para manutenção da casa. E acima de tudo faço-te companhia. Vai ser divertido.

- Sem dúvida. Sempre gostei da tua companhia… primo. – Se mentir fosse um crime, Federico teria de ser preso naquele instante.

Decidiram sair para comprar qualquer coisa para comer. Caía muita chuva e alguém chamou Federico.

- Federico! Federico! – Era o vizinho Tom Sachs – Pode emprestar-me um pouco de sal? É que o meu acabou e...

- Claro Tom, mas vou com o meu primo Alessandro fazer umas compras e já lho dou quando voltar, de acordo?

- Muito prazer Alessandro. Ora essa Federico, tome o seu tempo. Esperarei pelo sal e a sopa também esperará. – E volta para casa a correr, protegendo a cabeça da chuva com o casaco.

Dotado de uma forte capacidade intuitiva, segundo ele mesmo, Alessandro confessa a Federico não ter gostado de Tom, pareceu-lhe falso. Federico tinha criado uma boa amizade com Tom, mas em vez de defender o vizinho, decidiu ignorar o primo. Que sabia ele? Nunca tinha estado com Tom, e aquele cabelo de Alessandro escorrido da água da chuva só lhe pareceu ainda mais ridículo do que já estava, e os óculos redondos pareceram mais esquisitos do que já eram. Não gostou da observação do seu primo sobre a pessoa mais simpática naquela rua.

Parte II


- Bem... não quero que nada de mal te aconteça... aliás... – hesitou. – que tal vires comigo até Canterbury? E amanhã logo resolves isso. Que me dizes?

O comboio seguia, a viagem era longa. À conversa, dois desconhecidos vagueiam por temas que começam a esgotar. Vicky aceitou o convite de Federico. Descobrir um jeito de contar aos pais que tinha sido despedida, deixou para depois. Entre palavras e tímidos risos, a paisagem fugia no canto do olho como slides. À medida que a noite escurecia com rigor, em vez de paisagem, encontraram os seus reflexos. No limite das conversas a diversidade de atracções era escassa, estavam frente a frente. Pela janela viam sombras rápidas sem tempo para ganhar forma. No lugar da frente um desconhecido. Federico pensou ser fácil falar da escola, dos amigos, família, durante os trinta minutos que levam da Victoria Station até Canterbury East Station. Foi fácil. Durante cinco minutos. Sem nunca se terem visto na vida, pensar que iam passar a noite juntos na mesma casa, tornava aquela viagem cada vez mais constrangedora. O tema era como se um elefante gigante estivesse ali, sentado no lugar do lado, mas cada um ignorava-o como podia.

- Next stop, Canterbury East. Please, mind the gap between the train and the platform when leaving the train.

Para alivio de ambos, a viagem chegou ao fim. A corrente soltou-se, a conversou fluiu por si só. Começou a pingar quando chegaram ao início da rua. Vicky estendeu a palma da mão e olhou para cima.

- Vai começar a chover! - Vicky previu e a chuva intensificou.

Com um olhar digno de pessoas cúmplices, perceberam que tinham de correr até à casa de Federico ao fundo da rua. Chegados ao alpendre, de mãos nos joelhos, com gotas de chuva desordenadas no rosto que se encontravam na ponta do nariz e entre uma respiração ofegante Vicky aclamava vitória e chamava Federico de fraco. Este ria-se, derrotado. Pelo cansaço.

Bateram à porta na esperança que Alessandro a abrisse... a porta abriu-se.

Parte I


Manhã de frio. Londres quando acorda decidida em ficar fria, é porque assim quer ficar todo o dia. Apesar do frio, as nuvens deixavam o sol cumprimentar os mais madrugadores. Numa pacata rua de Canterbury, nos subúrbios da cidade, acompanhando a estrada recta cada árvore seguia igual, ramos carecas de folhas. Cada casa seguia igual, silenciosa. Porém, quem lá vivia tinha uma novidade para satisfação dos bisbilhoteiros mais famintos. Havia chegado um novo vizinho. “É jovem”, afirmavam uns. “Aquele cabelo precisa de um pente”, achavam outros. “Acabou-se o sossego nesta rua”, apostavam alguns. Falava-se de Federico Morais Nocciolo. Recém-formado em psicologia, decidiu sair de casa e iniciar uma nova fase na sua vida. Viver sozinho. No que diz respeito ao sustento independente, em boa parte ficava ao critério do amor paternal.
De descendência portuguesa e italiana, este jovem rapaz de cabelo encaracolado, suficientemente grande para tapar as orelhas de Dumbo, estava prestes a viver uma grande experiência na sua vida.
Ao entrar naquela casa, que desde logo lhe pareceu grande demais, sentiu que muito ia mudar. Circundado por malas cheias de vida, naquele velho alpendre de madeira, de porta aberta analisava a entrada. Em nenhuma das fotografias que estavam expostas no anúncio de internet conseguia prever o cheiro a húmido que o recebia tão calorosamente. O enorme lance de escadas convidava-o a subir até ao piso de cima para conhecer o seu quarto. Antes de o fazer, olhou para trás e viu o taxi que o trouxe arrancar, para longe da rua que agora era sua.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

verum

prefiro que mintas
que digas que gostas
porque se mo dizes acredito
para mim vale o que me mostras

quero abraços apertados
no meu ombro esconde desgosto
desde que não te olhe o rosto
somos namorados

nas palavras a certeza
na ignorância a felicidade
continua com as mentiras
que eu faço delas verdade

diz que o que te dou é suficiente
mesmo que não seja
podes chorar durante a noite
mas faz com que eu não veja

ama outros se for preciso
mas na cama quero-te comigo

sábado, 2 de abril de 2011

Melhor


Numa conversa regada a sangue quente, ela foi aconselhada a tentar ser uma pessoa melhor. Conselho vago, porém forte. A sua força reside na palavra “melhor”, que atinge o orgulho de quem o recebe por sugerir que a sua condição actual é “pior”. Ela aceitou, mas obviamente impôs a seguinte questão. Quem é que alguma vez já tentou ser uma pessoa melhor? Tu já? Ela explicou-lhe que é muito fácil ensinar boas maneiras ou incutir bons valores, o dificil é segui-los. Um homem embriagado pode dizer Não Beba! Ele é o espelho do que nos podemos tornar se o fizermos. É uma rara excepção de conselhos hipocritas, que devem ser seguidos. Mas geralmente quem nos aconselha tem de possuir o valor que nos quer transmitir. Não podes espalhar alegria se não fores alegre. Não podes espalhar optimismo se não fores optimista. Não podes ensinar a lutar se nunca tiveres lutado antes. Ela clarifica, que só lhe poderia pedir para tentar ser uma pessoa melhor se ele fosse uma pessoa melhor. Que ela.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Praia

Posto baixo, o sol pousa no seu momento mais glorioso. Segue recto pelo horizonte que desenhado pelo mar serve-lhe espaço para brilhar. Os contornos dos reflexos ondulam até nós, sentados na areia, iluminados dos últimos rasgos de dia, que já têve uma manhã, têve uma tarde e tem agora um momento, que começa a ser nosso. Sentimos ambos o fresco baloiçar do vento nos rostos. O sol, no seu longo poiso, está distante e não nos aquece. Pouco falta para que num movimento lento de timidez desapareça nas costas do imenso mar. Para nos deixar a sós com a lembrança que ele mesmo criou.