domingo, 31 de julho de 2011

Parte V



- Vi que chegou ontem. Agrada-lhe esta vila? Canterbury é lindo vai adorar, especialmente a Catedral... Aaah, é magnífica! – disse Tom vazando chá no seu copo.

Federico observava os movimentos meticulosos e coordenados de Tom, enquanto este pegava na chávena. Era um senhor de charme inquestionável. Tom tinha por hábito sorrir ligeiramente enquanto falava, e os olhos acompanhavam o sorriso desenhando as suas rugas que envolviam os olhos azuis profundos, expressivos e frontais.

Acabado de mudar, Federico continuava com a sua casa de pernas para o ar. Ver a casa de Tom impecavelmente limpa e organizada, para além de uma inveja imensa, fazia crescer uma dúvida.

- Desculpe-me, mas... é casado?

- Fui. Divorciei-me faz cinco anos. Vivo sozinho desde então... mas porquê? Não tenha medo de perguntar homem, esteja à vontade. Afinal de contas somos vizinhos. Sendo eu a contar ou não, irá saber tudo sobre mim de qualquer modo. – Disse, soltando umas gargalhadas bem genuínas.

Depois de horas de convívio, com conversas que serviram para Tom despejar experiências de vida, Federico voltou para casa feliz por ter conhecido finalmente um bom vizinho. Aquela casa arrumada inspirou-o a pegar num aspirador de uma vez por todas. O fascínio por Tom Sachs tinha começado.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Já lhe fizeste perguntas?
E nada?
Que perguntaste tu?
Que falta de noção.
Não admira que nada surja.
Tens um toque suave de mais,
Toca-lhe como deve ser porra.
Quantas cartas lhe escreveste?
A lápis?
O carvão vai com o tempo.
Tem que ser com tinta.
Marca-lhe com sublinhados,
Com letras carregadas,
Dessa tua tinta tímida, cuspida.
Já viste bem como és?
Pára.
Não precisas gritar agora.
Agora, pega em tudo o que já fizeste,
Pensa que valeu a pena.
Faz-lhe as perguntas interessantes.
Pergunta se está bem.

Fica grato com a resposta.