quinta-feira, 25 de março de 2010


Avô, ele existe?

Sim minha querida, dentro de cada um de nós. Só tu o libertas, só tu o deixas crescer. Não o deixes viver num simples sonho de sesta. Dá-lhe espaço… deixa que ele urja num sonho maior que ele, num sonho profundo de tarde de domingo. Sem fim. Ele ganha vida, se tu assim o decides.

Ele fala comigo. Ele ouve-me?

Ouve sim minha querida, se em silêncio gritares baixinho. Ele sente o timbre, o som, a melodia, tudo completo. Ânsia e desejo. Se o queres, ele ouve. Mas antes escuta, entende a ensurdecedora prosa que te espalha no ouvido. Ele precisa de ti.

Avô, vou conseguir chegar até ele?

Não sei minha querida. Mas dorme. Dorme e sonha sem parar. Cria os mares mais azuis e as luas mais prateadas. As flores cheiram ao que tu queres. Os ventos sopram com a violência e direcção que tu lhes dás. Sonhar toca no medo de quem não quer tocar no fundo. Ele. Vais encontrá-lo. Só não desistas.

ele não é Deus

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